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BRD Stablecoin vincula a dívida soberana do Brasil ao rendimento on-chain

BRD Stablecoin vincula a dívida soberana do Brasil ao rendimento on-chain

CryptotaleCryptotale2026/01/08 07:30
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By:Cryptotale
  • O stablecoin BRD tokeniza títulos soberanos brasileiros e compartilha os rendimentos com os detentores.
  • A estrutura mira investidores estrangeiros que buscam exposição à taxa Selic de 15% do Brasil de forma digital.
  • Novas regras classificam stablecoins como câmbio, moldando o lançamento de tokens com rendimento no Brasil.

A dívida soberana brasileira foi transportada para a blockchain após o ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, anunciar o stablecoin BRD no programa “Cripto na Real” da CNN Brasil. O stablecoin atrelado ao real é lastreado por títulos do Tesouro Nacional brasileiro e distribui o rendimento desses títulos aos detentores. A estrutura mira investidores estrangeiros interessados em acessar a taxa básica de juros de 15% do Brasil por meio de um token digital.

A Estrutura do BRD Conecta Stablecoins ao Rendimento Soberano

Volpon afirmou que o BRD será lastreado por títulos do Tesouro Nacional brasileiro. Diferente dos stablecoins transacionais, o BRD vincula seu valor às reservas de dívida do governo. Notavelmente, o design permite que os juros recebidos desses títulos sejam repassados diretamente aos detentores do token.

A taxa Selic de referência do Brasil está atualmente em 15%, o maior nível desde julho de 2006. Em comparação, o Federal Reserve dos EUA mira uma faixa de 3,5% a 3,75%. No entanto, investidores estrangeiros frequentemente enfrentam barreiras regulatórias, custos de conversão cambial e limitações de infraestrutura doméstica.

Volpon afirmou que o BRD busca empacotar esses rendimentos em um formato digital. Ele explicou que a entrega via blockchain pode contornar fricções relacionadas à custódia e liquidação. Como resultado, o BRD se posiciona como uma representação com rendimento da dívida soberana brasileira.

A CF Inovação, fundada por Volpon e José Carneiro em 2023, será responsável pela emissão do token. A empresa anteriormente focava na tokenização de imóveis. No entanto, a documentação oficial do produto BRD ainda não foi publicada.

Concorrência Mostra Mudança Além do Pagamento

O BRD entra em um mercado já atendido por vários stablecoins lastreados em real. O BRZ da Transfero lidera com uma capitalização de mercado relatada de US$ 185 milhões. O BBRL vem em seguida com cerca de US$ 51 milhões, enquanto BRL1 e cREAL possuem participações menores. A maioria dos tokens existentes funciona principalmente como instrumentos de pagamento. 

Esses tokens mantêm a paridade, mas não distribuem rendimentos dos ativos de lastro. O BRD busca se diferenciar ao incorporar a distribuição de juros em sua estrutura. No entanto, o BRD não está sozinho nessa abordagem. A startup brasileira Crown lançou o BRLV há cerca de 18 meses. Esse token também compartilha rendimentos de reservas de títulos do governo com os detentores.

A Crown arrecadou US$ 13,5 milhões em uma rodada Série A liderada pela Paradigm em dezembro de 2025. A empresa relatou uma avaliação de US$ 90 milhões. Segundo seu site, o BRLV tem cerca de R$ 19 milhões em circulação, embora dados on-chain mostrem apenas dois detentores.

Dados da RWA.xyz situam a circulação total de stablecoins em real no Brasil em cerca de R$ 20 milhões. No entanto, o BRZ da Transfero mostra apenas R$ 13,6 milhões atualmente on-chain. Esses números destacam o quão inicial o mercado ainda é.

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Regulação Molda o Experimento de Tokenização

O anúncio do BRD ocorre enquanto o Brasil reforça a supervisão sobre criptoativos. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou resoluções que cobrem operações com stablecoins. As regras classificam as transações com stablecoins como operações de câmbio.

Como resultado, os emissores enfrentarão a mesma supervisão aplicada a empresas de câmbio. As regulações entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. No entanto, o BRD ainda não anunciou um cronograma de lançamento. O mercado cripto brasileiro registrou R$ 227 bilhões em transações no primeiro semestre de 2025. 

Stablecoins responderam por cerca de 90% desse volume. Notavelmente, formuladores de políticas agora veem stablecoins como infraestrutura financeira sistêmica. Volpon foi Diretor de Assuntos Internacionais de 2015 a 2016. Nesse período, participou do COPOM, que define a taxa Selic. Anteriormente, ocupou cargos de liderança no UBS e no Nomura Securities.

Ao atrelar a emissão de stablecoin a títulos soberanos, o BRD demonstra um movimento mais amplo em direção à tokenização de ativos do mundo real. No entanto, sua estrutura o coloca mais próximo de um instrumento de dívida digital do que de uma ferramenta de pagamento. A abordagem conecta diretamente tokens descentralizados a instrumentos fiscais nacionais.

A estreia do BRD reúne dívida soberana, rails de blockchain e regulação em uma única estrutura. O modelo combina títulos do Tesouro Nacional, mecânica de stablecoin e distribuição de rendimentos. Juntos, esses elementos posicionam o BRD como um instrumento financeiro fundamentado em fatos de mercado existentes, não em projeções.

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