Resiliência do Bitcoin é testada por reveses legais nos EUA
Enquanto o clima regulatório nos Estados Unidos permanece incerto, o bitcoin surpreende ao ultrapassar US$ 95.700. Este pico semanal ocorre apesar do adiamento da revisão do CLARITY Act, um texto-chave para a regulamentação cripto. Onde antes os mercados reagiam com pânico, agora predomina a resiliência. Isso deve ser visto como um sinal de maturidade do mercado ou como uma calmaria enganosa?
Em resumo
- O Bitcoin atinge US$ 95.700 apesar do adiamento do CLARITY Act, um texto-chave para a regulamentação cripto nos Estados Unidos.
- Os mercados respondem com calma: não foram observados fluxos para exchanges nem vendas em massa.
- O rali do BTC parece ser impulsionado principalmente por instituições, com investidores de varejo permanecendo à margem.
- O índice Coinbase Premium permanece negativo, sinalizando uma fraqueza persistente na demanda do mercado americano.
Uma recuperação do BTC apesar do impasse regulatório
Em 13 de janeiro, o bitcoin atingiu um pico de US$ 95.700, exatamente quando os comitês do Senado dos EUA anunciaram o adiamento da revisão do CLARITY Act, um projeto de lei destinado a esclarecer o quadro regulatório do mercado cripto americano.
Este texto, debatido há meses, estava inicialmente previsto para votação em janeiro. John Boozman, presidente do Comitê de Agricultura do Senado, acredita que o atraso se deve a “desacordos não resolvidos sobre incentivos relacionados a stablecoins, supervisão de DeFi e jurisdição das agências”.
Apesar disso, os mercados não reagiram com o nervosismo habitual visto em episódios regulatórios anteriores. O bitcoin caiu brevemente abaixo de US$ 91.000 antes de voltar a subir, ultrapassando a marca de US$ 95.700 durante a sessão americana.
Diversos dados reforçam a hipótese de um mercado mais maduro e menos reativo à incerteza política:
- Os fluxos líquidos para exchanges permaneceram baixos, indicando ausência de movimento massivo de venda;
- O indicador on-chain SOPR (Spent Output Profit Ratio), que permanece próximo de 1, mostra baixa realização de lucros nesta fase de alta;
- Não há aumento significativo nos volumes de gastos on-chain, indicando uma inércia voluntária entre os detentores de BTC;
- Segundo análise da XWIN Research, os investidores parecem antecipar um horizonte de longo prazo, sem buscar reagir no curto prazo ao adiamento do projeto de lei.
Esses elementos sugerem uma forma de estabilização estrutural no comportamento dos detentores de BTC, onde a espera prevalece sobre o pânico. O mercado parece enxergar o CLARITY Act menos como uma ameaça imediata e mais como uma etapa futura de integração, cujo momento exato tornou-se secundário.
ETFs enfraquecidos e desengajamento dos investidores de varejo
Paralelamente à alta de preços, persistem tensões do lado dos produtos financeiros institucionais, principalmente os ETFs de Bitcoin à vista.
O analista Darkfost observa que esses fundos experimentaram a maior queda de liquidez já registrada, com mais de US$ 6 bilhões retirados desde o pico alcançado em outubro de 2025. Com um preço médio realizado para esses ETFs em torno de US$ 86.000, grande parte das posições institucionais encontra-se agora em perdas não realizadas.
Embora os fluxos tenham mostrado sinais de estabilização nas últimas duas semanas, essa pressão sobre os ETFs sugere que o otimismo não é generalizado em todo o mercado.
Além disso, outro sinal preocupante é a marcante ausência de demanda de investidores de varejo na recuperação atual. Segundo dados da CryptoQuant, a demanda de BTC em 30 dias para carteiras pequenas (entre US$ 0 e US$ 10.000) permanece negativa, contrastando fortemente com fases anteriores de alta.
Assim, o índice Coinbase Premium, que mede a diferença entre os preços na Coinbase (dominante no mercado americano) e em outras plataformas, ainda não é positivo. Como destaca CryptoGodJohn, “enquanto não virmos um fluxo positivo na Coinbase, uma verdadeira reversão de alta é improvável”.
A alta no preço do bitcoin, apesar do impasse regulatório americano, destaca uma evolução no comportamento do mercado. Entre o desengajamento dos investidores de varejo e o recuo dos fluxos institucionais, a tendência atual pode sinalizar uma fase de transição. Resta saber se essa resiliência se manterá sem um catalisador concreto no curto prazo.
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