Os Estados Unidos enfrentam um custo anual de US$ 952 bilhões: pagamentos de juros crescentes sobre a dívida nacional devem ultrapassar os gastos com o Medicare antes do final da década.
Crescente Preocupação com o Aumento da Dívida dos Estados Unidos
Por anos, os Estados Unidos vêm enfrentando déficits crescentes e uma dívida nacional em expansão, mas só recentemente essa questão se tornou uma grande preocupação para os eleitores. No início de 2025, uma pesquisa apartidária da Fundação Peterson revelou que 76% dos americanos — incluindo 73% dos democratas e 89% dos republicanos — acreditam que combater o excesso de endividamento do governo, que ameaça tanto a economia do país quanto as finanças pessoais, deve ser uma prioridade principal para o presidente e o Congresso.
Desde essa pesquisa, a situação fiscal piorou mais rapidamente do que especialistas do Escritório de Orçamento do Congresso e do setor privado previam. Fatores que contribuem para isso incluem cortes de impostos previstos e aumento dos gastos do governo sob o One Big Beautiful Bill do presidente Trump. O item orçamentário que mais cresce, e que mais alimentou o déficit desde o início da pandemia, são os pagamentos de juros sobre a dívida nacional. Diferente dos gastos com defesa, assistência médica para idosos ou segurança de fronteiras, esses custos com juros não oferecem benefício direto aos americanos, tornando-se uma fonte crescente de frustração pública. Isso remete à campanha presidencial de Ross Perot em 1992, que trouxe atenção nacional aos perigos do aumento dos pagamentos de juros e conquistou quase um quinto do voto popular ao destacar essa questão.
Pagamentos de Juros Dispararam Desde 2019
No ano fiscal de 2019, os pagamentos líquidos de juros do governo federal eram relativamente modestos, em US$ 375 bilhões, representando apenas 1,7% do PIB. Ao final do ano fiscal de 2025, esse valor disparou para US$ 952 bilhões — um aumento de 153%, ou cerca de 17% de crescimento ao ano. Esse salto superou de longe os aumentos em outras áreas importantes, como Medicare (alta de 25%), Medicaid (alta de 32%) e defesa nacional (alta de 7%). Em 2025, os pagamentos de juros se tornaram a terceira maior despesa federal, quase ultrapassando o Medicare, que ficou em US$ 997 bilhões — menos de 5% acima do valor dos juros. Os pagamentos de juros agora consomem 3,2% da renda nacional, quase o dobro da fatia pré-pandemia.
Entre 2019 e 2025, a parcela dos gastos federais dedicada aos juros subiu de menos de um em cada dez dólares para mais de um em cada seis e meio.
O ritmo de crescimento acelerou ainda mais no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 (outubro a dezembro), com os custos de juros atingindo US$ 179 bilhões, ante US$ 160 bilhões no mesmo período do ano anterior. Ao final de 2025, os juros haviam se tornado o segundo maior gasto federal, superando tanto o Medicare quanto a defesa. Segundo as últimas projeções do CBO, os pagamentos de juros continuarão a consumir uma parcela maior da renda nacional, subindo dos atuais 3,2% para 4,0% até 2034. Nesse ponto, os custos anuais com juros podem chegar a US$ 1,6 trilhão — quase 70% a mais do que hoje — e ultrapassar o Medicare como o segundo maior item do orçamento federal. Isso significaria que apenas os pagamentos de juros absorveriam cerca de um quarto de toda a receita do imposto de renda individual.
A Causa Subjacente: Déficits Primários Persistentes
O aumento dos custos com juros decorre de uma questão fundamental: o persistente déficit “primário”, que é a diferença entre as receitas e os gastos do governo antes da contabilização dos pagamentos de juros. À medida que essa diferença aumenta, o governo precisa tomar mais empréstimos, elevando tanto o total da dívida quanto o custo para servi-la. Desde 2019, a taxa média de juros sobre a dívida dos EUA subiu de baixos 2,49% para 3,35% em 2025. Essa taxa permanece relativamente contida apenas porque o Tesouro depende fortemente de empréstimos de curto prazo; refinanciar com títulos de longo prazo provavelmente elevaria ainda mais as taxas — e os custos com juros.
À medida que a diferença entre a receita federal e as despesas aumentou, os pagamentos de juros se tornaram um contribuinte muito maior para o déficit. O hiato entre receitas e gastos do governo saltou de US$ 998 bilhões em 2019 para US$ 1,8 trilhão em 2025 — um aumento de US$ 800 bilhões, ou 80%. Durante esse período, os pagamentos de juros acrescentaram US$ 577 bilhões ao orçamento, compondo cerca de 70% do déficit total. O CBO projeta que, sob as políticas atuais, o déficit chegará a US$ 1 trilhão em 2025 (cerca de 6% do PIB) e pode chegar a 117% do PIB até 2034, tendo juros e Medicare como os principais motores desse aumento.
Vale notar também que tarifas adicionais impostas pelo governo Trump, embora tenham gerado receita significativa, não foram suficientes para fechar o crescente hiato entre receitas e despesas federais. Em 2025, o governo arrecadou cerca de US$ 200 bilhões com tarifas e fontes relacionadas — US$ 125 bilhões a mais do que no ano anterior. No entanto, os custos com juros subiram US$ 71 bilhões no mesmo período, anulando quase 60% da receita extra vinda das tarifas.
No fim das contas, uma parcela crescente dos recursos do país está sendo direcionada para o serviço da dívida, desviando fundos de programas destinados a beneficiar as gerações futuras. Esses pagamentos de juros em alta são resultado direto de anos de gastos acima da nossa capacidade e de receitas tributárias insuficientes. Se algo pode fazer com que os americanos prestem mais atenção aos perigos da dívida e dos déficits, é o peso crescente dos custos com juros.
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