A significativa redução contábil da BP indica tempos difíceis à frente para investimentos em emissões líquidas zero
Grandes Empresas de Energia Enfrentam Retrocessos em Investimentos de Transição
Esta semana, a BP revelou que espera registrar uma perda de US$ 4 a US$ 5 bilhões em seus resultados do quarto trimestre como resultado da redução de suas iniciativas de transição energética. Esta divulgação vem logo após o anúncio da Ford em dezembro, quando a montadora projetou perdas de US$ 19,5 bilhões devido a uma redução significativa em suas ambições de veículos elétricos. Essas empresas não estão sozinhas — muitas organizações que antes viam a energia limpa como um investimento garantido agora enfrentam desafios financeiros substanciais, colocando em dúvida as metas globais de emissão zero.
A BP não especificou as fontes exatas de suas perdas antecipadas para o quarto trimestre de 2025. No entanto, os empreendimentos da empresa em energia de baixo carbono têm apresentado desempenho insuficiente de forma consistente, uma tendência refletida por outras grandes petrolíferas. A BP tem se retirado gradualmente dos setores de transição, recentemente delineando planos para sair da Lightsource BP, principal empresa de energia solar da Europa, e vender seus ativos de energia eólica onshore nos EUA. Nos últimos três anos, a BP relatou encargos anuais de desvalorização variando de US$ 5,1 bilhões a US$ 6,9 bilhões.
Embora nem todas essas perdas sejam provenientes das operações de baixo carbono da BP, a divisão não atingiu as expectativas. A estratégia da empresa agora enfatiza seus negócios principais de petróleo e gás. A BP não é única nessa mudança — a Shell também reduziu seus esforços de transição energética, interrompendo a construção de uma instalação de biocombustíveis na Holanda, desinvestindo em energia eólica e, no ano passado, anunciando uma baixa contábil de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão em sua divisão de renováveis.
Essas reversões são preocupantes para o setor de energia limpa, que até recentemente contava com forte apoio de governos e investidores. Defensores há muito afirmam que as energias renováveis são lucrativas mesmo sem subsídios, mas as ações recentes da Ford, BP, Shell e outros sugerem um ceticismo crescente.
Crescimento dos Investimentos em Renováveis Desacelera
Embora o financiamento para projetos de energia eólica e solar continue aumentando, o ritmo desacelerou. A BloombergNEF relatou que, embora o investimento global em energia de baixo carbono tenha atingido níveis recordes no primeiro semestre de 2025, os gastos com grandes projetos solares e eólicos onshore na verdade diminuíram. Mesmo na Europa, líder na expansão de energia alternativa, o crescimento desacelerou no ano passado — particularmente na Alemanha, onde pressões econômicas forçaram o governo a reconsiderar suas prioridades.
Mudanças de Política e Desafios da Indústria
Alguns atribuem o esfriamento do interesse em renováveis e veículos elétricos a mudanças políticas sob o presidente Donald Trump, que adotou medidas para restringir a energia eólica offshore, eliminar gradualmente subsídios para veículos elétricos e estabelecer prazos para outros incentivos de energia limpa.
No entanto, este período pode servir como um teste crucial para o setor. Apesar de anos de afirmações de que solar, eólica e veículos elétricos poderiam prosperar sem apoio governamental, cancelamentos recentes de projetos e queda nas vendas de veículos elétricos após reduções de subsídios sugerem que esses setores ainda não são autossustentáveis.
Outros desafios também surgiram. O apagão do ano passado na Espanha e em Portugal, o aumento de preços negativos no mercado atacadista de eletricidade na Europa e períodos de baixa geração eólica destacaram vulnerabilidades nas tecnologias de transição. À medida que as renováveis se tornam uma parte maior da matriz energética, essas questões estão se tornando cada vez mais difíceis para os investidores ignorarem, reduzindo o entusiasmo por novos investimentos.
Por Irina Slav para Oilprice.com
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