Construindo força organizacional em um mundo cada vez mais dividido
Navegando por uma Nova Era de Instabilidade nos Negócios Globais
Empresas internacionais estão enfrentando um período de instabilidade crescente, marcado por disputas comerciais, relações geopolíticas em evolução e demandas crescentes para reformular cadeias de suprimentos. A era anterior de globalização fluida está sendo substituída por um cenário fragmentado, onde tarifas, sanções e controles de exportação podem interromper operações comerciais sem aviso prévio. A imprevisibilidade geopolítica contínua — desde tensões regionais até o desacoplamento estratégico entre grandes economias — obriga as organizações a reconsiderar como obtêm, fabricam e acessam mercados. Cadeias de suprimentos, antes otimizadas para máxima eficiência, agora exigem proteções robustas contra riscos políticos, regulatórios e operacionais repentinos. Essa transformação é fundamental e duradoura.
Resiliência Torna-se o Novo Diferencial Competitivo
À medida que líderes globais se reúnem em Davos, executivos se deparam com a realidade de que a resiliência, mais do que a eficiência pura, determinará o sucesso futuro neste ambiente econômico fragmentado.
Geopolítica e Crescimento Econômico: Agora Inseparáveis
Com a abertura do Fórum Econômico Mundial em 19 de janeiro de 2026, a mensagem para empresas multinacionais é clara: estratégias tradicionais já não são suficientes. Forças geopolíticas e políticas comerciais agora estão profundamente entrelaçadas, com sanções, tarifas e controles de exportação influenciando o acesso ao mercado tanto quanto as preferências dos consumidores. Neste cenário, a gestão de riscos tornou-se uma prioridade de diretoria, não apenas uma preocupação operacional.
O tema do WEF deste ano, “Um Espírito de Diálogo”, foca em cinco prioridades: fomentar a cooperação em um mundo dividido, impulsionar o crescimento, investir em talentos, implementar inovação de forma responsável e construir prosperidade dentro dos limites ambientais. Esses temas refletem a realidade atual dos negócios, onde comércio, regulação, tecnologia e questões climáticas se fundiram em um único quadro estratégico.
Comércio Fragmentado, mas a Corrida pelo Crescimento se Intensifica
A questão central em Davos 2026 é como alcançar crescimento em meio à fragmentação e à mudança nas regras globais.
Dados recentes destacam essa dupla realidade. A previsão da OMC para 2025 sinaliza volatilidade, com tarifas crescentes e incertezas políticas obscurecendo o panorama — variando de pequenas quedas no comércio global a recuperações apenas modestas.
No entanto, em contraste, a UNCTAD relata que o comércio global atingiu um recorde de US$ 35 trilhões em 2025, impulsionado pelo Leste Asiático e rotas comerciais Sul-Sul. Em vez de um colapso da globalização, estamos testemunhando sua transformação. O comércio está se adaptando, migrando para agrupamentos regionais e parcerias baseadas em alinhamento político.
A pesquisa mais recente da McKinsey mostra que o comércio está cada vez mais baseado em proximidade e confiança. Os fluxos comerciais dos EUA estão mudando para México e Vietnã, a Europa está se distanciando da Rússia, e países como membros da ASEAN, Índia e Brasil estão formando novas conexões entre blocos. Essas tendências sugerem que o crescimento ainda é possível, mas por novos canais e sob novas regras, onde resiliência e alinhamento estratégico são tão importantes quanto a eficiência.
Sanções e Tarifas: Um Cenário Regulatório Unificado
As diretorias não podem mais tratar sanções, controles de exportação, tarifas e defesa comercial como desafios separados. Os reguladores estão colaborando mais do que nunca, desfocando as linhas entre conformidade comercial e gestão de riscos geopolíticos. Isso cria um ambiente complexo onde as empresas precisam navegar por restrições sobrepostas.
Em 2025–26, os EUA e a União Europeia estão intensificando a supervisão de tecnologias avançadas, a China está aumentando os controles sobre recursos estratégicos e novas regras estão surgindo para investimentos de entrada e saída. As pressões contínuas relacionadas à Rússia, Irã e China persistem. As tarifas passaram de consideração secundária para força primária que molda o comércio, levando empresas a acelerar remessas ou redirecionar cadeias de suprimentos, como visto no início de 2025, quando empresas correram para importar mercadorias antes dos aumentos tarifários previstos. Ajustes em tarifas podem desencadear novos riscos de sanções, e vice-versa. O resultado é um ambiente regulatório de alto risco, onde monitoramento proativo e planejamento estratégico são essenciais para permanecer competitivo e evitar interrupções dispendiosas.
Resiliência da Cadeia de Suprimentos: Um Imperativo Estratégico
Olhando para 2026, a resiliência da cadeia de suprimentos passará de uma tática defensiva para um importante motor de crescimento. Em um mundo onde a disrupção agora é uma realidade estrutural, a resiliência sustenta agilidade, acesso ao mercado e confiança dos investidores. Especialistas do setor destacam três pressões convergentes: intervenção geopolítica, complexidade regulatória — incluindo requisitos globais de direitos humanos e due diligence — e choques relacionados ao clima. Juntos, esses fatores tornam a resiliência um diferencial crítico. Empresas que investem em cadeias de suprimentos adaptáveis, em conformidade e transparentes não apenas reduzirão riscos, mas também desbloquearão melhorias sustentáveis de desempenho.
Um Guia Moderno para a Resiliência Liderada por CEOs
Muitas organizações ainda não estão preparadas para os riscos legais, operacionais e geopolíticos combinados que enfrentam. Empresas líderes estão adotando uma abordagem pragmática ao nível da diretoria que inclui:
- Formação de Equipes Multifuncionais: O sucesso começa com a montagem de equipes preparadas para um mundo onde os silos tradicionais são obsoletos. A resiliência exige colaboração entre funções. Especialistas jurídicos devem compreender riscos geopolíticos, responsáveis por compliance precisam ter expertise em sanções, profissionais de compras devem estar familiarizados com controles de exportação e considerações ESG, e todas as equipes devem estar prontas para ameaças cibernéticas. A alta liderança deve supervisionar esses esforços.
- Incorporando uma Cultura de Continuidade: A resiliência prospera com adaptabilidade e uma cultura de continuidade operacional. Em um ambiente onde choques globais e mudanças políticas podem interromper cadeias de suprimentos, sistemas digitais e estabilidade da força de trabalho, organizações que priorizam a continuidade se destacam. Isso envolve planejar estrategicamente para atrasos, realizar avaliações rigorosas de risco e manter a flexibilidade para se adaptar rapidamente à medida que as circunstâncias mudam — seja devido à volatilidade do mercado, eventos geopolíticos ou desafios inesperados. Para os melhores desempenhos, a continuidade é proativa, garantindo estabilidade, conformidade e confiança, transformando a imprevisibilidade em uma constante gerenciável.
- Implementação de Programas de Compliance Dinâmicos: Um programa interno de compliance forte deve ser um sistema vivo que evolui com os desenvolvimentos geopolíticos e regulatórios. Isso requer monitoramento contínuo de sanções, controles de exportação e restrições comerciais, além de comunicação clara entre as equipes jurídica, de compras e de operações. O compliance eficaz antecipa riscos por meio de planejamento de cenários, sistemas de alerta precoce e atualizações regulares multifuncionais, incorporando resiliência nas decisões centrais de negócios.
- Priorização da Documentação: Documentação detalhada é essencial para a responsabilidade. CEOs devem tratar a documentação como um ativo estratégico, fornecendo evidências de diligência aos reguladores e servindo como defesa crítica em auditorias ou investigações.
Em um mundo marcado pela fragmentação e incerteza, a preparação disciplinada é tanto a defesa mais forte quanto a estratégia mais eficaz para o sucesso.
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