O novo ciclo na visão do Morgan Stanley: taxas de juros, IA, China e o quadro macro de reavaliação de ativos globais
Neste artigo, vamos analisar um relatório da
Morgan Stanley Investment Management

no relatório anual de macroestrutura publicado no início de 2026:
Big Picture: Temas-chave para 2026
Este é um típico “relatório de macrovisão”, que não tenta prever oscilações de curto prazo do mercado, mas sim, a partir de juros, sistema monetário, IA, mudanças estruturais na China e distribuição global de ativos em cinco frentes, traz a avaliação geral da Morgan Stanley sobre o ambiente de investimentos para 2026.
Resumindo o relatório em uma frase:
Os investimentos globais estão migrando de uma “alta concentração” da década passada para uma “difusão estrutural” abrangente (Broadening).
E essa mudança não vem de uma única política ou evento, mas sim da inversão simultânea de várias forças de longo prazo.
I. Uma premissa subestimada pelo mercado: a taxa real de juros já atingiu o teto
A Morgan Stanley primeiramente apresentou uma restrição macroeconômica muito importante, porém facilmente ignorada:
Em um mundo altamente endividado, as taxas reais de juros não podem permanecer restritivas por muito tempo.
Tanto nos Estados Unidos quanto nas principais economias do mundo, a proporção da dívida pública em relação ao PIB já está em níveis historicamente altos. A experiência histórica mostra repetidamente:
Em estágios de alta dívida
é inevitável ter taxas reais de juros próximas de zero ou até negativas
caso contrário, o sistema fiscal não consegue se manter estável
Isso significa:
Mesmo que a política monetária aperte em termos cíclicos, estruturalmente, o espaço de alta da taxa real de juros já está bloqueado.
Esse é o fundamento para praticamente toda a precificação de ativos em 2026.
II. O mundo está entrando na “era das múltiplas moedas”
O segundo ponto do relatório é sobre o sistema financeiro que está deixando de ser unificado:
O dólar continua sendo um referencial
mas já não é o único referencial
Algumas mudanças-chave já ocorreram:
Mais de 30% do comércio da Chinaé liquidado em yuan
Vários mercados emergentes começaram a usar suas próprias moedas ou sistemas não dolarizadospara pagamentos internacionais
A participação do ouro nas reservas globais segue aumentando
A Morgan Stanley não acredita que o dólar irá colapsar, mas aponta claramente:
O sistema monetário está se tornando modular e multipolar.
Para os investimentos, isso significa:
A correlação entre ativos diminui, a diferenciação regional aumenta.
III. Tarifas são mais uma “narrativa política” do que uma realidade econômica
A avaliação do relatório sobre tarifas é bastante direta:
O impacto das tarifas foi sistematicamente superestimado.
O motivo é simples:
A economia global opera porcadeias de suprimentos, e não por fronteiras nacionais
Os EUA importam em grande parte bens intermediários, não produtos finais de consumo
Impor tarifas sobre bens intermediários enfraquece a competitividade local
Especialmente nas relações China-EUA, a realidade é:
A China exporta produtos mais complexos e difíceis de substituir
Os EUA exportam principalmente commodities e produtos primários
As tarifas não redesenharam o comércio, apenas reordenaram seus caminhos.
IV. A diferenciação entre a “velha China” e a “nova China” é o essencial
A análise da Morgan Stanley sobre a China é muito clara ao separar em duas linhas:
Velha China
Setor imobiliário
Infraestrutura tradicional
Demanda interna fraca e forte pressão deflacionária
Nova China
Manufatura avançada
Novas energias, EV, baterias, robótica, IA
Competitividade global em exportações continua subindo
Um dado importante é:
A China já representa 28% da produção manufatureira global.
E após o bloqueio de semicondutores, a China escolheu o caminho dedesocidentalização da cadeia de suprimentos + autossuficiência tecnológica.
A conclusão da Morgan Stanley é clara:
A próxima fase da competição global terá como núcleo a IA e o sistema de manufatura, não o setor imobiliário.
V. IA: prosperidade, fissuras e as verdadeiras oportunidades
A avaliação da IA no relatório é bastante “fria”:
Explosão de usuários
CapEx sem precedentes
masa monetização ainda está atrasada
Ao mesmo tempo, algumas fissuras estruturais já surgiram:
Gargalos de energia elétrica
Utilização desigual de redes e data centers
Estruturas de financiamento mais complexas
Mas a Morgan Stanley destaca:
O excesso de infraestrutura ao longo da história geralmente precedeu saltos de produtividade.
Mais importante, estão se formando duas arquiteturas de IA globais:
Estados Unidos: alto custo, intenso em capital, foco em GPU
China: baixo custo, alta eficiência, colaboração na cadeia de suprimentos
Isso significa:
IA não é um setor único, mas sim um tema de longo prazo altamente diversificado.
VI. De “pensar” para “agir”: sistemas autônomos estão tomando forma
A Morgan Stanley propõe um conceito muito importante:
Autonomy Stack (Pilha de Sistemas Autônomos)
A IA está migrando de:
Análise do mundo
→ entrada no mundo físico e início da “operação”
Incluindo:
Robôs em fábricas
Drones aéreos
Sistemas autônomos no espaço
Resumindo:
A IA está deixando de ser software para se tornar um fator fundamental de produção.
Meu entendimento:
Este relatório, essencialmente, fala de umamudança de era:
As taxas de juros já não são uma variável unidirecional
A IA já não é exclusividade dos gigantes
A China já não se limita ao setor imobiliário
O mundo já não é só os EUA
A palavra-chave para 2026 não é “mais alto”, mas sim “mais amplo”.
Para os investimentos, isso significa:
Os índices vão se “amortecer”
A estrutura vai se “agitar”
Errar a direção é mais importante do que errar o timing
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