O ex-diretor do Banco Central do Brasil, Tony Volpon, anunciou o BRD, uma stablecoin atrelada à moeda brasileira que compartilha os juros obtidos com suas reservas em títulos do governo com os detentores.
O produto entra em um mercado onde a taxa Selic de referência do Brasil está em 15%, o maior nível desde julho de 2006.
A empresa de Volpon, CF Inovação, será responsável pela emissão do BRD, visando grandes instituições financeiras que buscam acesso à dívida pública de alto rendimento do Brasil por meio de uma estrutura de token digital.
O anúncio foi feito durante o programa “Cripto na Real” em 6 de janeiro. A documentação oficial do produto ainda não foi divulgada.
Lançamento Stablecoin BRD
Uma nova – e bem diferente- stablecoin em Reais está chegando…
— Tony Volpon 🇧🇷 (@TonyVolpon) January 6, 2026
Volpon foi Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil de 2015 a 2016, onde participou do COPOM, o comitê de política monetária que define a taxa Selic.
Ele atuou por mais de 30 anos no mercado financeiro e ocupou cargos de diretor-gerente no UBS e no Nomura Securities. Fundou a CF Inovação com José Carneiro em 2023, inicialmente focada na tokenização de imóveis.
Cenário Competitivo
O mercado global de stablecoins alcançou US$299,15 bilhões em capitalização total, com volume de transferências mensais de US$6,86 trilhões, de acordo com a RWA.xyz.
As stablecoins lastreadas no real brasileiro ainda representam um segmento pequeno, com circulação on-chain combinada de aproximadamente US$20 milhões entre todos os emissores.
O BRD entra em um mercado em desenvolvimento de stablecoins atreladas ao real que remuneram os detentores com uma parcela dos juros obtidos sobre as reservas.
Esse modelo espelha os tokens de segurança com rendimento que surgiram no mercado dos EUA. O BRLV da Crown, lançado há cerca de 18 meses, já oferece esse modelo para investidores institucionais.
A Crown já garantiu R$360 milhões (aproximadamente US$67 milhões) em compromissos, com cerca de US$19 milhões atualmente em circulação ativa.
A empresa arrecadou US$13,5 milhões em uma Série A liderada pela Paradigm em dezembro de 2025, com uma avaliação de US$90 milhões, segundo anúncio da Crown.
O BRZ da Transfero, que afirma ter a maior posição de mercado entre os tokens atrelados ao real, mostra apenas US$13,6 milhões em circulação on-chain, segundo dados da RWA.xyz.
Marco Regulatório
O anúncio do BRD ocorre enquanto o Brasil se prepara para implementar novas regulamentações de criptomoedas. O Banco Central publicou resoluções em novembro de 2025 que classificam as transações com stablecoins como operações de câmbio. Os provedores de stablecoins estarão sujeitos à mesma supervisão que as casas de câmbio.
O mercado cripto brasileiro movimentou 227 bilhões de reais (US$42,8 bilhões) em transações no primeiro semestre de 2025, com as stablecoins respondendo por cerca de 90% do volume.
As novas regulamentações entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. Nenhum cronograma de lançamento para o BRD foi anunciado.
Como estrategista de marketing Web3 e ex-CMO da DuckDAO, Zoran Spirkovski traduz conceitos complexos de cripto em narrativas envolventes que impulsionam o crescimento. Com experiência em jornalismo cripto, ele se destaca no desenvolvimento de estratégias de entrada no mercado para projetos DeFi, L2 e GameFi.


