A Venezuela recorreu ao USDT depois que as sanções dos Estados Unidos cortaram o acesso ao sistema bancário em dólar. Curiosamente, os EUA impuseram "sanções direcionadas" contra indivíduos e entidades venezuelanas por "ações criminosas, antidemocráticas ou corruptas" desde 2005.
De acordo com um relatório do Wall Street Journal, a estatal petrolífera PDVSA passou a exigir pagamentos na stablecoin para manter as exportações de petróleo em andamento.
Em 2020, os compradores já eram obrigados a possuir carteiras de criptomoedas. As transações de petróleo eram liquidadas por meio de transferências diretas de USDT ou através de intermediários que trocavam o dinheiro recebido por stablecoins. Isso contornava completamente os bancos e reduzia o risco de apreensão.
É importante notar que uma estimativa local aponta que quase 80% da receita petrolífera da Venezuela flui por meio de stablecoins.
O USDT era relevante porque acompanhava o dólar americano, mas permanecia fora do sistema tradicional que impõe as sanções. Para a PDVSA, isso significava liquidação mais rápida, menos pagamentos bloqueados e acesso a compradores estrangeiros, apesar das restrições.
Para a Venezuela, a cripto não era uma ideologia, mas sim um meio de pagamento confiável. Quando os bancos fecharam, as carteiras continuaram abertas. Essa mesma lógica se aplicou também aos civis.
A hiperinflação destruiu o bolívar, que perdeu quase todo seu valor na última década. O USDT tornou-se uma moeda paralela para poupança, remessas e pagamentos do dia a dia.
O WSJ informou que as stablecoins agora estão integradas à economia local da Venezuela. Pagamentos em supermercados, aluguel, serviços e transferências transfronteiriças utilizam cada vez mais o USDT. Estimativas sugerem que as criptomoedas responderão por cerca de 10% das transações em supermercados até o final de 2025.
Enquanto isso, a adoção ocorreu sem regulamentação formal. A confiança se afastou dos bancos locais e passou para os tokens atrelados ao dólar, que podem ser enviados instantaneamente e armazenados fora dos controles de capital.
Uma tentativa anterior do governo de emitir uma cripto nacional, o Petro, fracassou devido à baixa confiança e à aceitação global nula. O USDT preencheu essa lacuna.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});De acordo com relatos anteriores, a Venezuela detém cerca de 600.000 BTC, que, com base nos preços atuais, valem mais de 55 bilhões de dólares. No entanto, essas alegações ainda não foram comprovadas.
Acredita-se que o estoque de BTC tenha vindo de swaps de ouro do país e liquidações de petróleo entre 2018-2025. Para contornar as sanções, a Venezuela converteu os lucros das vendas em USDT e BTC.
Se confirmado, esse volume significativo de BTC pode colocar a Venezuela entre os maiores detentores do maior ativo digital do mundo. Para referência, a carteira de Satoshi Nakamoto possui cerca de 1,1 milhão de BTC.
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